Meu papel no mundo – um sentido para a vida

Por que estou aqui e qual é a minha função no mundo? Essas questões parecem permear todas as mentes capazes de se distanciar um pouco e visualizar a grandiosidade do universo, a pluralidade da vida e a complexidade da sociedade. Já respondo-as avisando que, por mais que seja difícil aceitar, não há um sentido real e verdadeiro, no fim, não há objetivo algum, somos todos inúteis, como já exposta aqui no texto “meu papel no mundo – minha inutilidade”.

O canal Kurzgesagt – In a Nutshell – que recomendo absurdamente – fala um pouco sobre essa perspectiva niilista que não vê sentido na vida, mas apesar disso, de uma forma otimista, entende que essa falta de sentido nos dá liberdade para muitas coisas, veja o vídeo:

 

O que temos de entender agora, como mostra o vídeo, é a liberdade diante de tanta inutilidade, o que permite que possamos criar nosso próprio destino e função no mundo. O que quero mostrar nos parágrafos que se seguem é apenas um dos sentidos que você pode utilizar para dar uma finalidade à sua vida. Começo apontando uma coisa óbvia, e dai partirei, na tentativa de fundamentar algo decente.

Meu argumento é básico, pense comigo: se você está lendo este texto, por consequência, deve estar vivo e, se assim for, está em frente a uma tela de um dispositivo eletrônico. Sendo assim, por estar vivo e utilizar um recurso tecnológico, você faz uso de um aparelho que tem sua origem numa rede complexa de descobertas, trabalhos e produções humanas por todo o planeta e ao longo de toda história da humanidade. A simples ação de ler um texto na internet, ao mesmo tempo em que é suportada por uma rede mundial de comunicação é também fruto do processo histórico que nos trouxe ao presente e aos avanços tecnológicos que dispomos hoje.

Certos disso, podemos dizer que você se beneficia dessa rede e, beneficiar-se tem como pressuposto fazer uso de algo que lhe apraz ou causa estima. A vida que levamos só tem qualquer sentido na medida em que possui momentos de alegria, felicidade ou prazer. Ninguém diria que deseja ter uma existência puramente dolorosa, viver de tal forma não faria qualquer sentido para pessoas como nós que têm desejos, prazeres e intensões. Logo, pensando agora não somente no uso de aparelhos eletrônicos e abrangendo toda a sociedade como fonte histórica e presente dos recursos, ferramentas e conhecimentos que você também se beneficia, fica claro que você preza pela manutenção dessa sociedade. Ora, você está vivo, e vive em sociedade, quer permanecer vivo (suponho) e, se possível for, usufruir da melhor e mais durável forma das regalias que a vida em sociedade pode trazer.

Podemos passar essa perspectiva de manutenção das bases que suportam a nossa existência no presente para duas instancias maiores como a da vida, ou seja, dos seres vivos em geral, e do universo, isto é, dos processos cósmicos responsáveis pela nossa existência, como bem explicado em outro texto deste blog: Meu papel no mundo – Dívidas, sendo assim, não irei me aprofundar nessa demais instancias aqui.

Vemos, desse modo, como podemos formular inicialmente um primeiro objetivo para nossas vidas, ou seja, um sentido para vida: manter funcionais as estruturas sociais e da vida. Por quê? porque você faz uso delas, e deve no minimo querer que elas perdurem saudáveis, pelo menos pelo tempo de sua vida.  Caso discorde, não desista agora, vamos tentar outro ponto de vista para chegar à essa ideia.

Se você, caro leitor, tem alguma ideia de astronomia, biologia e de antropologia deve compreender que em todas essas áreas nós presenciamos, com o passar das eras, um ganho de complexidade nos fenômenos, nos seres e objetos que fazem parte desses domínios de estudo (pelo menos até determinado nível). A vida passou de seres de composição simples unicelulares, que se alimentavam por meio de fermentação, para organismos multicelulares com um processo de aproveitamento de alimentos bem mais intrincado. Assim como observamos desenvolvimento nas comunidades humanas, antes formadas por agrupamentos de no máximo 150 indivíduos, para agora,  nas quais encontramos megacidades com milhões de habitantes e suas relações complexas e globalizadas. O universo comportou-se da mesma forma, expandiu-se e espalhou matéria pelo espaço, formando nuvens de poeira, estrelas gigantes e mais tarde superaglomerados de galaxias.

Tendo em vista que as coisas por natureza tendem a se aprimorar (pelo menos até um certo ponto) ganhando complexidade, você, como um ser pertencente a sociedade, a vida e ao Cosmos deve assimilar tal tarefa, a de se complexificar. Tarefa esta que se impregna na sua natureza, pois faz parte de toda trajetória da formação disso que é você. Este me parece ser um bom objetivo, algo que faz sentido não só para mim, mas num contexto bem mais amplo. Mas como isso se daria?

Vamos pensar um pouco, por exemplo, tomando a ideia de aprimoramento. Quando temos uma tarefa em mãos ela geralmente se aprimora na medida em que é melhor executada. Um pintor que deseja empregar determinada técnica nos seus quadros deve treinar e rabiscar de forma insistente para que atinja determinado nível de habilidade e apure sua desenvoltura com determinada técnica. Assim também são o violonista, o motorista (e o cobrador), o escritor e qualquer outro ser humano que pretenda fazer bem qualquer coisa.

No entanto, só podemos julgar tais habilidades pelos quesitos que lhes conferem o ganho desse afinamento em suas artes, ou seja, o violonista tem que se aprimorar no uso do violoncelo, o pintor na pintura, e assim vai. Mas e você, como um ser humano, em que tarefa deve se aprimorar? Ora, naquela que lhe é mais pertinente ao instrumento que lhe caracteriza. E que instrumento é esse no ser humano? O cérebro.

Podemos não ter sido a espécie com a qual surgiu o que chamamos de inteligência, mas, com certeza, temos algo que nos diferencia dos demais seres que habitam o planeta Terra. Se a sapiência não nos é filha, nos somos filhos dela, com ela prosperamos, alimentamos e somos alimentados. De outra forma, se não foi conosco que a inteligência surgiu, foi com o ser humano que ela se aprimorou e exponenciou sua capacidade de utilização. Somos conscientes de um modo singular, porém, indissociáveis da natureza. Isto é, o ser humano está aqui graças as infindáveis aventuras pelas quais a vida teve de percorrer, sobrevivendo a períodos catastróficos e mudanças que, se fossem de outra forma, nunca teriam permitido o nosso alvorecer.

Possuímos características singulares porque possuímos uma estrutura cerebral singular. Entenda agora que o cérebro traz consigo uma imensidão de capacidades para aquele que o porta. Nossas habilidades de interpretação e resolução de problemas nos dão o dom de desenvolver ferramentas, explicações para os fenômenos da natureza, assim como criar o abstrato, as diversas artes e ocupações que nos elevam o espírito. É nesse contexto que se deve entender o aperfeiçoamento do ser humano, é no desenvolvimento das várias habilidade que o homem é capaz de se aventurar. Artes em geral, problemas lógico-matemáticos, criação de ferramentas, resolução de problemas simples do cotidiano e também das questões mais universais e mirabolantes que perpassam a mente da civilização em toda sua história.

Se podemos pensar em qualquer sentido para nossas vidas, podemos justificar ações grandiosas e um caminho que pode durar toda vida. De fato, cada indivíduo dura um período muito limitado dentro da própria história humana, somos meros suspiros. Como podemos dar sentido a essa existência tão breve? Me parece que a única solução é dar um sentido mais profundo, mais significativo no contexto geral, ou seja, algo que tem origem em nós enquanto indivíduos deve durar por um tempo que supere nossa existência física. Desse modo, nossas ações devem ter como foco durar para além do tempo limitado de nossas vidas. Assim, a ação mais significativa é aquela que da continuidade a saga da qual pertencemos, essas ações são justamente aquelas que fornecem os tijolos essenciais no processo de melhoramento de nós a nível de civilização. Seremos seres melhores quando nos prontificarmos em atuar e aprimorar cada área que nos trouxe a ser quem somos e como somos enquanto humanos. Só a humanidade pode durar por um tempo indeterminado, sendo assim, somente aquelas ações que atuaram de forma significativa no percurso da humanidade possuem a força necessária para dar sentido as nossas vidas.

Pois bem, então é isso, como sentido para a vida eu lhes proponho essa aventura de aprimoramento contínuo a nível individual e “eterno” como parte da humanidade, ou enquanto ela dure.

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