Sobre ser forte

É de força que falamos, forte é a força, nobre, admirável, virtuosa e louvável por ela mesma. Temos por seu sinônimo: poder, potência, vivacidade. A força gera a capacidade de fazer algo, a vivacidade para agir, potência para resistir e poder para seguir. Se antepõe a fraqueza, a preguiça e a covardia desprezíveis em si mesmas.  Aquele que detêm a força, detêm o poder e, por isso mesmo, detêm a admiração justamente pelo caráter intrínseco de consagração que possui.

Em nossa cultura a força é consagrada através das grandes produções do cinema, onde exaltam-se heróis e heroínas que, em algum momento, mostram força numa perspectiva ou outra. A força (boa) sempre vence a fraqueza (má). Quem não deseja ser o herói que tanto admira? Pois a admiração se faz no desejo de possuir a fortitude, seja física, moral ou psicológica.

Mas como ser realmente forte? Como alcançar a totalidade da força que há em cada um e nós e extrapolar o limite realidade-cinema para nos tornarmos super-heróis? É possível?

SIM!

Seria mais forte aquele que luta para defender somente a si, ou aquele que precisa juntar em si a força para proteger multidões? Vê-se claramente que só se é realmente forte quando se tem alguém para defender. Quanto mais força eu poderia ter quando já visiono a força para proteger até mesmo meus inimigos? Ora, se só se é realmente forte quando temos alguém para proteger, e se até meus inimigos estão sob a égide da minha proteção, sendo assim, já possuo toda. Se preciso de força de vontade para fazer algo e minha vontade engloba sempre mais, se minha vontade engloba toda a humanidade, então ela é totalidade de todas as forças, ela é toda e é tudo. Mas falta-me juntá-la.

Isso tem a ver com formigas. Você poderia contabilizar em quantas formigas você já deve ter pisado durante toda sua vida? Jamais poderia, não é? Uma vez que você não estava prestando atenção, em cada segundo da sua vida, onde cada um de seus pés estavam pisando. Imagine agora ter que ampliar sua atenção de forma que tomasse cuidado, cada segundo da sua vida e em cada vez que pisasse no chão, para não esmagar uma possível formiga que estivesse andando por ali. Seria uma atenção super-humana, no mínimo. Imagine que isso se dê de verdade, que você busque tamanha sensibilidade na sua atenção e nas suas ações. Qualquer outra atividade cotidiana se tornaria, dessa maneira, um mero ato intuitivo em comparação a atenção necessária para cumprir tamanha tarefa. Cuidar de outras coisas frente ao trabalho maior, assemelharia-se a um reflexo.

Se você consegue ser tão cuidadoso assim aponto de jamais pisar no chão sem estar ciente de onde seu pé está tocando, podemos ver o quanto você ampliou sua capacidade de atenção, coordenação e sensibilidade. É esse o exercício da força. Você só é realmente forte quando exercita tal capacidade de proteger alguém e, quando há um exercício tão extremo, os intermediário tornam-se demasiadamente triviais, mas não no sentido do desprezo. Apontar seus cuidados para a humanidade tem, por meio, apontar seus cuidados para cada indivíduo. Mas a força, vivacidade e potência necessárias para a elevação do cuidado, da sensibilidade e das suas capacidades tornariam tais cuidados cotidianos uma ação comparada uma intuição.

Sua força tem a ver então com aquilo que você está cuidando. Qual é o objeto de sua atenção e que habilidades e conhecimentos você deve adquirir para que seja possível o cuidado necessário com esse objeto?

Se faça essa pergunta: e se o mundo dependesse dos meus conhecimentos e habilidades, que fim ele teria? Claro, a resposta é frustrante, obviamente, todos estão aquém da sabedoria necessária para cumprir de forma plena a função de cuidar do planeta, mas esse é o melhor horizonte para se mirar. Um caminho que dura a vida toda, juntar conhecimentos e habilidades que permitissem cuidar do mundo inteiro. Isso é ser forte.

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